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	<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 22:18:10 +0000</pubDate>
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		<title>UNS PERUS PARA O SEU JUIZ</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 22:18:10 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[


Era uma vez seu Porfírio.
Era uma vez seu Candinho.
Vizinhos de cerca, colegas de escola, vagos parentes.
Seu Porfírio, briguento como ele só.
Brigava com os parentes por causa de heranças, brigava com os
vizinhos por causa de limites de terras, brigava até com os filhos por
causa de dinheiro.
Seu Candinho, o contrário.
Amigo de todo mundo, resolvia seus problemas com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><p style="float:right;margin: 1px;"><script type="text/javascript"><!--
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</script></p></p><p>Era uma vez seu Porfírio.<br />
Era uma vez seu Candinho.<br />
Vizinhos de cerca, colegas de escola, vagos parentes.<br />
Seu Porfírio, briguento como ele só.<br />
Brigava com os parentes por causa de heranças, brigava com os<br />
vizinhos por causa de limites de terras, brigava até com os filhos por<br />
causa de dinheiro.<br />
Seu Candinho, o contrário.<br />
Amigo de todo mundo, resolvia seus problemas com conversas, com<br />
prosa, com jeitinho.<br />
Um dia seu Candinho recebeu uma herança de um parente afastado.<br />
Seu Porfírio ficou morrendo de inveja. Começou a falar mal de seu<br />
Candinho a todo mundo:<br />
&#8211; Bonzinho? Pois sim! Estes são os piores&#8230;<br />
Seu Candinho fez que não sabia e foi vivendo.<br />
E cada vez seu Porfírio ficava com mais raiva de seu Candinho.<br />
Então seu Porfírio inventou que o riacho que passava pelas duas<br />
fazendas era dele só e desviou o curso do riacho. Seu Candinho ficou<br />
sem água.<br />
Aí seu Candinho ficou zangado.<br />
Procurou o advogado dele, doutor Alex, e mandou uma ação em cima do<br />
seu Porfírio.<br />
A demanda se arrastou, com uns tais de embargos, e umas tais de<br />
ações suspensivas, umas tais de peritagens, uns tais de recursos, até<br />
que o julgamento foi marcado.<br />
Seu Candinho foi procurar o advogado:<br />
&#8211; Seu doutor, o senhor não achava bom se a gente mandasse aí uns<br />
perus pro seu juiz? Será que não facilitava as coisas?<br />
O advogado botou a mão na cabeça:<br />
&#8211; Que é isso, seu Candinho? O juiz é o doutor Honório, o juiz mais<br />
severo do estado! Se o senhor manda um presente pra ele, ele é capaz de<br />
dar ganho ao seu Porfírio só pra mostrar como ele é honesto&#8230;<br />
Seu Candinho saiu dali pensando&#8230;<br />
No dia do julgamento estava todo mundo nervoso. Menos seu Candinho:<br />
&#8211; Não se preocupem, nós vamos ganhar. Podem ter certeza&#8230; Não<br />
carece de ninguém ficar nervoso&#8230;<br />
Doutor Honório chegou de cara fechada, como se estivesse zangado<br />
com alguma coisa, não cumprimentou ninguém.<br />
O julgamento foi rápido e realmente seu Candinho ganhou.<br />
Seu Porfírio foi condenado a pagar um dinheirão ao seu Candinho e<br />
ainda teve de voltar o rio pra onde ele estava.<br />
Seu Candinho deu uma bruta festa pra comemorar.<br />
E então, com um sorriso muito malandro, ele perguntou ao doutor<br />
Alex:<br />
&#8211; Viu como foi bom mandar uns perus pro juiz?<br />
&#8211; O quê? O senhor mandou os perus pro juiz?<br />
&#8211; Mandei sim, doutor, mandei sim. Só que eu mandei no nome de seu<br />
Porfírio&#8230;</p>
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		<title>DONA CHIQUINHA, A MEXERIQUEIRA DE XIQUE-XIQUE</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 22:13:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Historias Infantis</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Histórias Infantis]]></category>

		<category><![CDATA[Histórias Infantis A-F]]></category>

		<category><![CDATA[boateira]]></category>

		<category><![CDATA[DONA CHIQUINHA]]></category>

		<category><![CDATA[linguaruda]]></category>

		<category><![CDATA[MEXERIQUEIRA]]></category>

		<category><![CDATA[novidades]]></category>

		<category><![CDATA[XIQUE-XIQUE]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma velhota novidadeira, boateira, tagarela, dona Chiquinha.
O marido, seu Honório, era um homem sério, caladão, compenetrado.
Os dois viviam brigando por causa dos mexericos de dona Chiquinha.
&#8211; Ó Chiquinha &#8212; seu Honório dizia &#8211;, deixe de ser enxerida,
linguaruda, fuxiqueira! Você vive espalhando novidades,
diz-que-diz-que&#8230;
&#8211; Quem, eu? &#8212; ofendiasse dona Chiquinha. &#8212; Eu, não! Nunca que eu
fui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era uma velhota novidadeira, boateira, tagarela, dona Chiquinha.<br />
O marido, seu Honório, era um homem sério, caladão, compenetrado.<br />
Os dois viviam brigando por causa dos mexericos de dona Chiquinha.<br />
&#8211; Ó Chiquinha &#8212; seu Honório dizia &#8211;, deixe de ser enxerida,<br />
linguaruda, fuxiqueira! Você vive espalhando novidades,<br />
diz-que-diz-que&#8230;<br />
&#8211; Quem, eu? &#8212; ofendiasse dona Chiquinha. &#8212; Eu, não! Nunca que eu<br />
fui bisbilhoteira! Nunca contei segredo de ninguém! Em matéria de<br />
segredos eu sou um túmulo!<br />
No outro dia era a mesma coisa:<br />
&#8211; Mas Chiquinha de Deus! &#8212; seu Honório danava. &#8212; Como é que você<br />
foi contar a dona Gertrudes que o irmão dela disse a dona Mocinha<br />
que&#8230;<br />
&#8211; Eu, Honório? Como é que você pode pensar que eu ia fazer uma<br />
coisa dessas? Eu já disse mais de um milhão de vezes&#8230; Eu sou um<br />
túmulo!<br />
E tanto tretaram, e tanto brigaram que seu Honório resolveu montar<br />
uma armadilha pra dona Chiquinha.<br />
Um dia ele trouxe pra casa uma trouxa muito bem amarradinha que ele<br />
escondeu no armário. Dentro da trouxa havia um ovo bem grande de<br />
perua.<br />
À noite seu Honório esperou que dona Chiquinha pusesse seus<br />
papelotes, deitasse na cama e pegasse no sono.<br />
Então ele trouxe o ovo pra cama e acordou dona Chiquinha aos<br />
gritos:<br />
&#8211; Acorde, Chiquinha, olha o que me aconteceu!<br />
&#8211; O que foi, o que foi, Honório?<br />
&#8211; Chiquinha, Chiquinha, olhe só! Eu botei um ovo!<br />
Dona Chiquinha ficou muito espantada.<br />
Seu Honório preveniu:<br />
&#8211; Veja lá, hen, Chiquinha. Não vá contar isso pra ninguém!<br />
&#8211; Eu, Honório? Deus me livre! Eu sou incapaz de contar um segredo!<br />
Eu sou&#8230;<br />
&#8211; Já sei &#8212; interrompeu seu Honório. &#8212; Você é um túmulo!<br />
De manhã, como todos os dias, seu Honório foi travalhar.<br />
Dona Chiquinha, já se sabe! Correu pra casa da comadre pra fuxicar.<br />
&#8211; Comadre, nem queira saber! &#8212; e contou tudinho pra comadre, com<br />
uma porção de detalhes, que era pra história ficar mais interessante. E<br />
naturalmente pediu à comadre o maior segredo. A comadre, dona Trudinha,<br />
respondeu:<br />
&#8211; Mas é claro, Chiquinha, é claro que eu guardo segredo! Você pode<br />
confiar em mim! Eu sou um túmulo!<br />
No que dona Chiquinha saiu, a comadre, já se sabe! Correu pra casa<br />
da irmã dela.<br />
Assim, o dia todo, aquela história tão absurda foi contada de casa<br />
em casa, por toda a cidade.<br />
E, quem conta um conto, aumenta um ponto&#8230;<br />
Quando o coitado do seu Honório chegou em casa, à noite, havia uma<br />
multidão na porta dele. Ele até assustou, pensando que tivesse<br />
acontecido alguma coisa a sua mulher! Então ele encontrou um conhecido<br />
e perguntou o que havia.<br />
&#8211; Pois você não sabe? Aí na sua rua tem um sujeito que bota ovos à<br />
noite. Dizem que só esta noite ele botou pra mais de três dúzias&#8230;<br />
Seu Honório não sabia se ria ou se chorava.<br />
De longe, ele viu dona Chiquinha, toda atrapalhada, tentando<br />
explicar o caso como ela podia&#8230;<br />
Ele então resolveu ficar fora por uns tempos e deixar que a mulher<br />
se arranjasse como pudesse.<br />
Quando ele voltou, dona Chiquinha nem tocou no assunto. E nunca<br />
mais dona Chiquinha saiu mexericando pelo Xique-Xique.<br />
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		<title>As Férias</title>
		<link>http://www.historiasinfantis.info/as-ferias/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Aug 2008 10:40:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Historias Infantis</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Histórias Infantis A-F]]></category>

		<category><![CDATA[ferias]]></category>

		<category><![CDATA[historias]]></category>

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		<description><![CDATA[A CHEGADA
No castelo de Fleurville andava tudo numa dobadoira. Camila e Madalena de Fleurville e as suas amigas Margarida de Rosbour e Sofia Fichini iam de um lado para o outro, subiam as escadas, desciam-nas outra vez, corriam pelos corredóres, saltavam, riam, gritavam, e até se empurravam. As duas mães, a Sr. a de Fleurville [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="pt-pt">A CHEGADA</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">No castelo de Fleurville andava tudo numa dobadoira. Camila e Madalena de Fleurville e as suas amigas Margarida de Rosbour e Sofia Fichini iam de um lado para o outro, subiam as escadas, desciam-nas outra vez, corriam pelos corredóres, saltavam, riam, gritavam, e até se empurravam. As duas mães, a Sr. a de Fleurville e a Sr.a de Rosbourg, sentadas numa sala que dava para o caminho, iam comentando, com benévolos sorrisos, toda aquela agitação, que não tentavam acalmar. De minuto a minuto, uma das raparigas passava a cabeça pela porta e perguntava: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Então, já se avistam? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Ainda não, queridinha - respondia uma das mães.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Tanto melhor, pois ainda não temos tudo em ordem.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E desaparecia, como uma seta, para dizer às outras: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Ainda não chegaram, meninas; temos tempo. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Ainda bem! Sofia, vai buscar flores ao jardim. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Quais? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Dálias e resedas: são as que se dispõem mais fàcilmente nas jarras e as que têm um perfume mais suave.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - E que faço eu, Camila? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Vai com Madalena buscar musgo para</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ocultar os pés das flores. Eu vou lavar as jarras na cozinha e deitar- lhes água. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia foi, a correr, ao jardim, e trouxe um grande cesto cheio de belas dálias e de perfumadas resedas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida e Madalena vieram com o musgo. Camila trouxe quatro jarras bem lavadas, cheias de água.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">As quatro raparigas tanto trabalharam que, um quarto de hora depois, estavam as jarras cheias de flores dispostas com bom gosto; as dálias alternavam com ramos de resedas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Duas jarras destinaram-nas ao quarto preparado para receber seus primos Leão e João de Rugés, outras duas foram levadas para o quarto do primo mais novo, Tiago de Traypi.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila, olhando para todos os lados - Parece-me que está tudo pronto; creio que não nos escapou nada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Tiago vai ficar encantado com o seu quarto. Que bonito que está! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Foi boa ideia a colecção de estampas: é um bom entretimento.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Vou ver se eles vêm! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Nós também vamos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida partiu, correndo, e, antes que as suas amiguinhas a alcançassem, voltou, ofegante, a gritar: - Aí vêm! Aí vêm! Os carros já passaram as cancelas e estão a entrar no bosque! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila, Madalena e Sofia precipitaram-se para a porta, onde encontraram as mães; bem lhes agradava correr ao encontro dos primos, mas elas não o permitiram.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Momentos depois, as carruagens paravam em frente da porta, por entre gritos de alegria das crianças. O Sr. Rugés, sua esposa e dois filhos, Leão e João, desceram da primeira; o Sr. e a Sr. a Traypi e o seu filhinho Tiago apearam- se da segunda. Durante alguns momentos, o tumulto, o barulho e as aclamações foram de ensurdecer.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão era um belo tipo de rapaz loiro, um pouco trocista, com ar irascível, indolente, pouco enérgico, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mas bondoso no fundo. Tinha treze anos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João tinha doze. Possuía olhos negros e cheios de ardor e doçura. Era corajoso e decidido, e, ao mesmo tempo, bondoso, complacente e dedicado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago era uma encantadora criança de sete anos, com os cabelos castanhos, aos caracóis, olhos atrevidos, faces rosadas e excelente coração; tinha um temperamento irrequieto, mas sem amuos nem rancores.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Como estás crescido, Leão! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - E tu que bonita, Camila! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - O João é que já parece um homem! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Também tu já estás uma mulher! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Meu querido Tiago, estou tão contente por voltar a ver-te! Havemos de brincar muito!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Oh, sim! Vamos divertir-nos a valer,</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">como há dois anos!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida-Ainda te lembras das borboletas que apanhávamos? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - E as que nos fugiam? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - E aquele pobre sapo que pusemos em cima de um formigueiro? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Ainda não te esqueceste daquele passarinho que fui buscar ao ninho para te dar? Lembras-te? Morreu por o ter apertado de mais nas mãos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Oh, como havemos de brincar! - exclamaram ao mesmo tempo, beijando-se pela vigésima vez.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia mantinha-se à distância; não a haviam esquecido, é certo, no primeiro momento de alegria; ela, porém, é que se sentia estranha naquela família, e, lembrando-se de que fora recebida em Fleurville por generosidade, receava ser indiscreta. João, que foi o primeiro a aperceber- se do isolamento da pobre Sofia, aproximou-se dela e pegou-lhe nas mãos, dizendo-lhe, afectuosamente:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Minha querida Sofia, não esqueci nunca a tua</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">afabilidade para comigo na última vez que estiveste em</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Fleurville, era eu então um rapazito; agora, como</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">estou mais crescido, cabe-me a mim ser-te prestável.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Obrigada pela tùa generosidade, meu bom</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João! Obrigada por não te esqueceres da pobre órfã,</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">pela tua amizade por ela! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Sofia, querida Sofia, somos tuas irmãs, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">bem sabes que a nossa mãe te considera sua filha; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">porque é então que te afliges e nos desgostas? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Perdão, boa<span> </span>Camila, não tenho razão para me afligir, é verdade! Encontrei aqui a mãe e as</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">irmãs que me faltavam.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- E irmãos! - exclamaram, em coro, Leão, João</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e Tiago.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Obrigada, queridos irmãos - disse Sofia, sorrindo. - Tenho uma família de que me orgulho.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- E não te sentes feliz connosco? - perguntou</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida, baixinho, beijando-a carinhosamente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Querida Margarida - respondeu Sofia, dando-lhe, também, um beijo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Meus filhos, meus<span> </span>filhos! Desçam depressa, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">venham merendar - disse a Sr.a de Fleurville, que</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ficara em baixo com as irmãs e os cunhados.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Não foi preciso repetir tão agradável convite.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Os pequenos desceram, a correr, e reuniram- se na</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">sala de jantar, em volta da mesa coberta de frutas</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e doces.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Enquanto comiam, iam fazendo projectos para o</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">dia seguinte.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão imaginava uma pescaria; João pensava em</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">leituras em voz alta; Tiago atrapalhava tudo: queria</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">passar o dia inteiro com Margarida para apanhar e</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">coleccionar borboletas, ir aos ninhos, jogar o carolo, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ver e copiar estampas. Queria que Margarida o</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">acompanhasse em todos os brinquedos, de manhã, de</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">tarde e à noite. Ela, porém, desejava a manhã livre</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">para os seus trabalhos de costura.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Tiago - Não pode ser! De manhã é quando se apanham mais borboletas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Bem, então deixa-me livre, para os meus trabalhos, da uma hora às três.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Ainda menos: é, a ocasião própria para coleccionar as borboletas, estender-lhe as asas e pregá-las em cortiça.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Quê? Pregá-las? Pobres bichinhos! Eu era lá capaz dessa crueldade! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Elas não sentem o menor sofrimento; aperto-as antes de as atravessar com os alfinétes; morrem logo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Garantes-me que morrem logo e que não sofrem? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Se deixam de fazer o mínimo movimento. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Mas, Tiago, que necessidade tens de mim, afinal, para coleccionar as borboletas? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Oh, minha Margaridinha, tu és tão boa e eu gosto tanto de ti! Contigo estou sempre distraído; e aborreço-me tanto sòzinho! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - E porque queres tu a Margarida só para ti? Nós também a queremos para nós; quando formos à pesca, ela há-de ir connosco.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Vocês já são cinco! Deixa-me a minha querida Margarida para me ajudar a coleccionar as borboletas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Ouve, Tiago. Ajudo-te durante uma hora e depois vamos com o Leão à pesca.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago resmungou. Leão e João riram-se dele. Camila e Madalena beijaram-no e fizeram-lhe compreender que não devia ser egoísta e que devia, como bom companheiro, sacrificar, algumas vezes, os seus gostos aos dos outros. Ele confessou o seu erro, e prometeu fazer tudo o que a sua amiguinha Margarida</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">quisesse.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Terminaram a merenda; as crianças pediram licença para ir passear e partiram, correndo, a ver quem chegava mais depressa ao jardim de Camila e Madalena. Encontraram-no cheio de flores, muito bem tratado e cultivado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Falta-lhes uma barraca para guardar as coisas, e outra para abrigar da chuva, do sol e do vento.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Sim, falta, mas nós nunca conseguimos construir nenhuma; não temos força para tanto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Pois então, eu e João vamos fazer uma</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">durante o tempo em que estivermos aqui.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - E eu também vou construir outra para a Margarida e para mim.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, rindo - Ah ah ah Que arquitecto ele nos saiu! Sabes, sequer, como hás-de começar? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Sei, sim, sei. E hei-de fazer a barraca. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Nós ajudamos-te e tenho a certeza<span> </span>de que o Leão e o João também há-de ajudar-te.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Aceito o teu auxílio de muito boa vontade, Madalena, assim como o de Camila e Sofia; mas o de Leão não o quero: ele está sempre a fazer troça de mim.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão, rindo - E o meu auxílio, Jaime, dar-me-á Vossa Alteza a honra de o aceitar? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago, zangado - Não, cavalheiro, também dispenso a sua ajuda: quero mostrar-lhe que a minha Alteza pode passar sem ela.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Mas como hás-de tu fazer, meu Tiago, para construir até ao cimo uma casa ampla e alta bastante para nos abrigar a todos? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Hás-de ver! Deixa-me cá! Tenho uma ideia. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E murmurou algumas palavras ao ouvido de Margarida, que se pôs a rir e lhe respondeu, também em voz baixa: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Excelente ideia, não lhes digas nada até acabares a obra! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">As crianças continuaram a passear; os primos foram levados ao pomar, onde passaram em revista todos os frutos, mas sem lhes tocar; depois foram visitar os estábulos, o galinheiro, a leitaria. Andavam contentíssimos: riam, corriam, trepavam às árvores, saltavam fossos e colhiam flores, de que faziam ramos destinados às suas primas e amigas. Tiago dera os seus a Margarida. Os de João eram para Madalena e Sofia; Leão entregava os dele a Camila. Só regressaram à hora dojantar. O passeio abrira-lhes o apetite; comeram muito bem e no meio de franca alegria. Nenhuma daquelas crianças tinha medo dos pais, que mais se faziam amar do que temer e que, com seus filhos, riam e conversavam alegremente. Depois de jantar deram todos um passeio pelo campo, donde trouxeram uma porção de miosótis; o resto da noite passaram-no a fazer coroas de flores para as meninas; Leão, João e Tiago davam o seu concurso, cortando-Lhes os pés mais compridos, preparando o fio, escolhendo as flores mais bonitas. Chegou, finalmente, a hora de deitar dos mais novos: Sofia, Margarida e Tiago, depois a dos mais velhos e mais tarde a hora do repouso dos pais. No dia seguinte deviam começar a construção das barracas, a caça das borboletas, a pesca, os grandes passeios no campo, a leitura e o estudo tinham um programa que lhes dava, pelo menos, para vinte e quatro horas. Os pequenos estavam em férias. E que férias! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Os pais tinham prometido que, durante seis semanas</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">faria cada um o que lhe apetecesse desde pela manhã</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">atéà noite, com a condição de reservar duas horas<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">para estudo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">No dia seguinte ao da chegada dos primos acordaram todos muito cedo.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida soergueu-se na cama e chamou Sofia, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">que dormia profundamente; esta despertou, sobressaltada, e esfregou os olhos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Quê? Que é? São horas de partir? Espera, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">já vou.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E, dito isto, caiu de novo a dormir, no travesseiro.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Preparava-se Margarida para chamar outra vez</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">quando a criada, que dormia perto, interveio: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Ora faça o favor de se calar, menina Margarida; deixe-nos dormir; ainda não são cinco horas; creio que não vai levantar-se tão cedo! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Meu Deus! Que noite tão comprida! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Estou farta de dormir! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E, pensando nos projectados casinhotos, e antegozando os prazeres do dia, adormeceu também.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila e Madalena, há muito acordadas, esperavam, com impaciência, que o relógio desse as sete, hora a que se levantariam sem incomodar Elisa, a<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">criada. Essa, como não tinha barracas a construir, dormia tranquilamente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão e João tinham acordado e haviam-se levantado às seis; quando as primas começaram a vestir-se, acabavam eles, já prontos, de rezar a oração matinal.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago tivera, antes de se deitar, uma conversa em voz baixa com o pai e com Margarida; todos, um tanto intrigados, viram os três em animada palestra; de vez em quando Tiago saltava, batia as mãos e beijava o pai e Margarida, mas nenhum revelou o motivo por que tinham falado com tanta animação e alegria. No dia seguinte, quando Leão e João foram ao quarto do primo para o acordarem, encontraram-no vazio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Como! Já cá não está? A que horas então se levantou ele? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Está a ver-se: num primeiro dia dc férias quem não gosta de corridas e passeios matinais? Anda no jardim, decerto: lá o encontraremos. Enquanto não vêm as primas e as amigas, vamos nós até casa do caseiro; almoçaremos leite quente e pão de centeio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João aprovou o projecto com entusiasmo; chegaram no momento em que acabavam de mugir as vacas. A tia Diart, mulher do caseiro, recebeu-os muito bem. Depois das primeiras frases de boas-vindas, Leão pediu leite e pão de centeio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A tia Diart apressou-se a servi-los.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Anda, gorducha - gritou ela para uma criada, que transportava dois canados de leite-, traz leite fresco para estes meninos. Anda depressa! Que pata-choca! Os meninos desculpem, ela é pouco desembaraçada. Pousa aí os baldes, não tens habilidade para nada. Vai buscar um pão à masseira. Aí têm, ao dispor dos meninos, tudo o que desejarem.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão e João agradeceram e começaram a tomar, com satisfação, aquele belo leite e a comer o saboroso pão caseiro, que saíra havia pouco do forno e estava ainda quente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Basta, João - disse o companheiro. - Se</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">comermos de mais, já não faremos nada. Não te esqueças de que temos de começar as barracas. É preciso acabarmos as nossas antes de aquele maroto do Tiago começar a dele.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Nisso não acredito eu. Tiago é forte, inteligente e decidido; consegue sempre o que quer&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Ora, deixa-te disso: não vais acreditar que seja capaz de fazer uma casa sòzinho, ajudado, apenas, por Sofia e Margarida&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - As vezes. Sei lá! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Não vês que é impossível? Não fará nada de jeito.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - É o que havemos de ver.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Acreditas em tudo! Ah ah ah! Um garoto de sete anos arquitecto! Nessa não acredito eu! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Bem! O mais seguro é não rires por enquanto. Demais, são horas de irmos buscar as primas; vão dar as sete.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Correram a casa, foram bater à porta do quarto das raparigas, que os esperavam muito animadas. Depois dos alegres bons-dias, desceram para correr ao jardim e começarem a barraca. Ao aproximarem-se, ficaram surpreendidos de ouvir marteladas: dir-se-ia que alguém pregava tábuas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Quem estará no jardim a martelar? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Naturalmente é no bosque. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Não, não; as pancadas vêm do jardim. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Ah! aqui vem Margarida, que nos explicará tudo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">No mesmo instante, Margarida gritou muito alto: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Leão, João, bons dias; Sofia e Tiago estão junto de mim.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Oh, não grites tanto - disse, a sorrir. - Não somos tão surdos como isso! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida aproximou-se deles, a correr, e beijou-os; depois seguiram todos a caminho do jardim, passando pelo bosque.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Grande surpresa tiveram ao verem Tiago, que </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">era para eles um miúdo, com um grande martelo a</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">pregar tábuas às estacas que formavam os quatro</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">cantos da barraca. Sofia auxiliava-o, segurando nas</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">tábuas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tinham escolhido muito bem o lugar da casa</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">junto de um grupo de nogueiras que a abrigavam do</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">sol. Mas o que, sobretudo, surpreendeu os recém-chegados foi a presteza de Tiago e também aenergia e</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">habilidade com que colocara as estacas. Até já se</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">desenhavam a porta e uma janela.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Os quatro tinham parado; surpreendidos; e tão</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">grande espanto se lhes pimtava nas faces, que Tiago, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida e Sofia não puderam impedir-se de sorrir</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e de rir, finalmente, às gargalhadas. Tiago deitou</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mesmo o martelo ao chão para rir mais à vontade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão caminhou para ele.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, muito zangado - Porque te estás a rir e de</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">quem te ris? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Estou-me a rir de vocês todos e do vosso</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ar de espanto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Mas, meu Tiago, como pudeste tu fazer</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">isto? Como pudeste transportar as quatro estacas</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e estas tábuas tão pesadas? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago, com ar garoto - Foi a Margarida e a Sofia</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">que me ajudaram.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão e João abanaram a cabeça com ar incrédulo; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">andaram à volta da casa, olharam para todos os lados</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">com aspecto desconfiado, enquanto Camila e Madalena</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">se espantavam da habilidade de Tiago e admiravam</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">a rapidez com que trabalhara.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - A que horas te levantaste, Tiago? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - As cinco, e às seis já aqui estava com</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">as estacas, as tábuas e as ferramentas. Tomem lá, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">peguem vocês agora na ferramenta; chegou a vossa vez.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Não. Tiago, continua; gostaríamos de te</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ver trabalhar, recebendo, assim, uma lição da tua</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">grande habilidade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago lançou a Margarida e a Sofia um olhar de inteligência, e respondeu, a rir: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Nós estamos já a trabalhar há muito e sentimo-nos cansados. Vamos, agora, à caça das borboletas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, irónico - Para descansar, não é? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Isso mesmo, para descansar os braços e o espírito.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Dito isto, partiram, às gargalhadas e aos saltos. Leão viu-os afastarem-se e disse: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Não têm nada o aspecto de quem está fatigado. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Nesse mesmo instante, Camila e Madalena aproximaram-se, inquietas, de Leão e de João.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Ouvi estalar ramos na mata. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Eu também; vocês ouvem, agora? Parece ser alguém que foge para não ser visto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Enquanto Leão recuava, afastando-se, prudentemente, da mata e do bosque, João agarrou no martelo, pondo-se diante das primas para as defender.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Escutaram alguns instantes e nada mais ouviram, Leão disse com ar aborrecido: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Vocês ouviram mal, não foi nada. Pousa o martelo, João; deixa esses ares de ferrabrás; desta vez falta-te o adversário.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Obrigada, João; se houvesse perigo, ter-nos-ias defendido.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - E tu porque troças da coragem de João? Podia haver verdadeiro perigo, pois tenho a certeza de que ouvi caminhar com precaução na mata, como se alguém se quisesse esconder.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, com ar zombeteiro - Prefiro a prudência da serpente à coragem do leão.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Não há dúvida de que é menos perigoso. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila pressentiu uma disputa e mudou de conversa, falando da projectada barraca. Pediu que escolhessem lugar para ela; depois de muita hesitação resolveram construí-la em frente da de Tiago. Foram, em seguida, buscar toros de madeira e tábuas para a construção. Escolheram o que precisavam num telheiro</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">onde havia paus de todas as formas e feitios. Carregaram tábuas e estacas num carrito, que Leão e joão puxavam e Camila e Madalena empurravam. Partiram em grande correria. Passaram, com ar triunfal, por diante de Tiago, Margarida e Sofia, que caçavam borboletas no prado e que, ao vê-los, foram postar-se, em linha, na orla do bosque, empunhando as redes como quem apresenta armas e rindo com ar malicioso. João, Camila e Madalena corresponderam, rindo com alegria; Leão zangou-se e quis parar; mas João puxava sempre e Camila e Madalena empurravam o carro, de modo que teve de seguir com eles.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Pouco depois ouviu-se a sineta tocar para o almoço; as crianças deixaram o trabalho e subiram a lavar as mãos, ajeitar o cabelo e escovar-se.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">À mesa, o Sr. Traypi informou-se da marcha dos trabalhos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Então como vão essas obras? Os mais velhos têm o seu trabalho muito adiantado? Quanto ao meu Tiago, coitado, calculo que ainda estará a meter a primeira estaca. Eh! Leão? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, com ar de enfado - Não, tio; ainda não vamos muito adiantados; estamos a começar a enterrar as quatro estacas dos cantos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi - E o Tiago, em que altura vai? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, com o mesmo ar - Não sei como arranjou, mas a verdade é que o trabalho dele não está mais atrasado que o nosso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Confessa que vai mais adiantado que vocês, que são maiores e mais fortes, pois já está a pregar as tábuas das paredes.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi - Ah Ah! Nesse caso, ele não é tão mau artista como ontem dizias, Leão.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão não deu resposta e corou. Pôs-se toda a gente a rir; Tiago, que estava ao lado do pai, pegou-lhe na mão e beijou-a sem ninguém ver.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Mudaram de assunto; excelentes pastéis de creme de chocolate entusiasmaram toda a gente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Depois de almoçar, os pequenos quiseram levar os pais ao jardim para lhes mostrarem as barracas começadas, mas eles declararam, unânimes, que só lhes interessava vê-las quando estivessem prontas. Deram, então, uma volta pelo bosque, durante a qual Leão combinou com os outros irem pescar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- João e eu - disse ele - vamos preparar as linhas e os anzóis; entretanto, vocês, minhas queridas primas, vão pedir ao jardineiro algumas minhocas e mandem-nas meter em qualquer vasilha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila e Madalena correram ao jardim, onde se juntaram com Leão e João; em poucos minutos o jardineiro encheu-lhes uma vasilha de vermes muito bons para a pesca, e lá foram para o lado onde já se encontravam Tiago, Margarida e Sofia, que tinham preparado um balde para meter os peixes e trazido migalhas de pão para os atrair.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Foi boa a pesca; vinte e um peixes passaram do lago para o balde, breve prisão de onde só saíram para morrer a ferro e fogo na cozinha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Já ia a pesca muito adiantada e ninguém notara o desaparecimento de Tiago. Foi Madalena quem primeiro deu por isso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Naturalmente-disse ela-, foi para casa coleccionar borboletas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- As borboletas que não apanhou - cochichou Margarida, a rir, ao ouvido de Sofia: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia respondeu-lhe com um sinal de inteligência e um sorriso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Que bicho vos mordeu? - disse Leão, com ar desconfiado. - Não sei o que elas estão para ali a cochichar, mas vejo-as ambas, e Tiago também, desde esta manhã, com ar misterioso e irónico que não anuncia nada de bom.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida, a rir - Para vocês ou para nós? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Para todos; porque, se vocês nos fizerem partidas, pagar-vos-emos na mesma moeda.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Pela minha parte, não tenho receio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Podem fazer o que quiserem que eu não me vingo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Como tu és bom, João - disse Margarida, aproximando-se dele e apertando-lhe as mãos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Nada receies, não éramos capazes de fazer alguma</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">coisa que te ofendesse.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Supomos<span> </span>que não nos levarão a mal</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">brincadeiras inocentes.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão, a rir - Ah! Já temos alguma coisa em</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">curso? Suspeitava-o. Advirto-vos de que farei tudo</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">por a fazer abortar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Não o conseguirás, por mais que</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">queiras!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - É o que havemos de ver.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão -Já estamos aqui há perto de duas horas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Pescámos mais de vinte peixes. Não achas que, por</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">hoje, chega? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Tens razão; voltemos às nossas barracas, que, a falar verdade, estão bastante atrasadas; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">temos de apanhar Tiago; apesar de mais pequeno, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">trabalhoú muito mais.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Ora isso é que eu não posso perceber.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tu, Sofia, que trabalhas com ele, explica-me como</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">conseguiram vocês ambos fazer o trabalho de dois</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">homens, enquanto nós não fizemos mais que enterrar</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">as estacas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia, atrapalhada -Mas&#8230; não sei&#8230; não sei&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida, com vivacidade - Ora, explica-se muito</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">bem: nós somos construtores competentes, activos, não</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">perdemos um instante.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Quanto a nós, que fazemos? Nada, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">perdemos tempo. Tenho a certeza de que Tiago deitou de novo mãos à obra, enquanto nós estamos para</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">aqui a perguntar uns aos outros como é que a sua</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">casa se adianta e a nossa está parada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Vamos ver, vamos ver - gritaram todos, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">excepto Margarida e Sofia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Primeiro temos de guardar as linhas de pescar e os anzóis - disse Sofia, detendo-os.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- E levar os peixes à cozinha - acrescentou Margarida.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, com ar de zombaria e imitando a voz de Margarida - E também cozinhá-los, não é? para dar tempo a Tiago.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão, a rir - Esperem aí, vou ver o que é feito dele.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E ia partir, a correr, quando Sofia e Margarida o agarraram. João, a rir, debatia-se; Camila e Madalena acorreram para o ajudar. Margarida atirou-se ao chão e agarrou-o por uma perna.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Não o deixes, não o deixes; segura-lhe na outra perna - gritou ela a Sofia. Mas Camila e Madalena precipitaram-se sobre Sofia, que ria a bom rir.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João, a debater-se, caiu na relva, e o seu trambolhão aumentou a alegria geral; Margarida ficara estendida, com o nariz nos tacões dele. O ar grave de Leão, contemplando a cena, mais excitava ainda o riso. Ficara de pé, junto do balde dos peixes, e perguntava, de vez em quando, em tom irritado: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Então quando acabam com isso? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Quanto mais Leão se formalizava, mais os outros riam.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Quando se cansaram de tanto rir, seguiram, enfim, Leão, mas ainda comentando o seu aspecto grave com gargalhadas e gracejos. Assim se aproximaram do bosquezito onde eram construídas as barracas e ouviram, nitidamente, marteladas tão fortes e repetidas, que não era possível atribuí-las a Tiago.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Desta vez - disse João, escapando-se e entrando na mata - saberei o que isto é.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia e Margarida deitaram a correr pelo caminho do bosque, gritando Tiago! Tiago! cuidado. Leão correu também e foi o primeiro a chegar; não estava ninguém, mas no chão viam-se, abandonados, dois grandes martelos, pregos, cavilhas, pranchas, etc.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Ninguém - disse Leão. - É duro de roer, temos de os apanhar. João João!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E meteu-se pela mata dentro.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Instantes depois ouviram-se gritos vindos do bosque.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Cá está! Cá está! Apanhámo-lo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Não, fugiu-nos. - Agarra, agarra! pela direita! pela esquerda! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia, Margarida, Camila e Madalena escutavam, ansiosamente, rindo. Viram sair João, com os</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">cabelos e o fato em desalinho. No mesmo instante, Leão saiu em igual estado, perguntando vivamente</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">a João:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Viste-o? Para onde se meteu? Porque é que o deixaste fugir? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Ouvi-o correr no bosque - respondeu João -, mas, da mesma maneira que tu, não pude agarrá-lo nem vê-lo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Entretanto, Tiago, vermelho, esfalfado, apareceu também e perguntou-lhes, com ar irónico, que era aquilo; porque tinham eles gritado assim e a quem tinham perseguido? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, irritado - Finge-te inocente, meu finório. Sabes melhor do que nós de quem se trata.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Eu estive quase a apanhá-lo. E apanhava-o, se não fosse Tiago interpor-se.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - E davas-lhe uma ensinadela, claro. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Tê- lo-ia reconhecido e havia de o trazer comigo para nos ajudar na nossa barraca. Anda, Tiago, dize-nos quem te ajudou a construir a tua, tão bem e tão depressa. Nós guardaremos segredo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Guardar segredo para quê? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Para não te acusarem de deslealdade. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Ah ah! Vocês então supõem que alguém me ajudou, que esse alguém se zangaria se eu lhe revelasse o nome, e tu queres, João, que eu seja cobarde e ingrato até ao ponto de o dizer? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Ora não querem ver este fala-barato de sete anos! Vais ver como te obrigamos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Não, Tiago tem razão; seria coagi-lo a ser desleal, ou, pelo menos, indiscreto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Muito custa ser escarnecido por um garotelho!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Não te esqueças, Leão, de que o desafiaste, que fizèste troça dele e que ele tinha o direito de te provar. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Provar-me o quê? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Provar-te. que. que. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida, com vivacidade - Que é mais esperto do que tu e que tinha o direito de te pregar uma partida inocente sem tu teres o direito de te zangar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, sentido - Eu não me zango, meninas; e afianço-lhes que respeitarei a finura e a esperteza do vosso protegido.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida Um protegido que será, dentro de pouco tempo, protector.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago, a Margarida - E que não se esconderá por detrás de ti quando algum perigo te ameace.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, encolerizado - De que queres falar e de quem, garoto? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago, vivamente - De um poltrão e de um egoísta.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila, receando que a disputa tivesse piores consequências, agarrou na mão de Leão e disse-lhe, com afecto:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Leão, estamos a perder tempo; e tu, que és o mais sensato e o mais imteligente de todos nós, distribui a cada um o trabalho a fazer, para se concluir a nossa barraca, ainda tão atrasada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Também eu me ponho às tuas ordens - exclamou Tiago, já arrependido.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, que a lisonja de Camila desarmara, sentiu-se de todo tranquilizado pelas palavras de Tiago, e, esquecendo as ásperas coisas que este acabava de</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">dizer, correu a dar a cada um a sua tarefa, e todos se puseram a trabalhar activamente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Durante duas horas trabalharam com um interesse digno de melhor sorte; as pranchas não se seguravam, os pregos torciam-se. Com paciência e coragem recomeçaram o que lhes saía mal, mas pouco adiantavam. Tiago parecia querer fazer com que esquecessem as suas palavras de há pouco, mostrando zelo superior à idade. Deu excelentes conselhos, que os outros, com êxito, acolheram e seguiram. Enfim, fatigados e a transpirar, deixaram a obra para continuar no dia seguinte, depois de Leão e os companheiros terem deitado um olhar de inveja à casa de Tiago, quase pronta: Este, que desde a questão parecia contrafeito, separou-se dos primos e foi ter com o pai, que o acolheu, rindo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi - Então, Tiagozito, quase me apanharam! Se não fosses tu, João tinha-me visto. Não importa, o caso é que adiantámos hoje muito; já pedi ao Martinho que concluísse a barraca enquanto jantamos, e amanhã ficarão todos muito admirados ao verem-na pronta.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Não, pai, não - disse Tiago, deitando-lhe os braços à volta do pescoço -Deixe ficar a minha casa como está e mande acabar a dos primos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Como é isso? - replicou o pai, surpreendido.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Tu que tão vivamente te empenhavas em acabar a tua barraca antes de o Leão fazer a sua!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Sim, meu querido pai. E porque fui mau para ele, e custa-me causar-lhe pena, tendo sido tão bom para mim. Leão podia ter-me batido depois do que lhe disse há pouco, e não o fez.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E contou ao pai a cena do jardim.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traipy - E como é que o acusaste de egoísta e cobarde? Não sabes que são palavras muito duras? Que fez ele para lhas dizeres? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - O pai não se lembra quando, de manhã, fomos, pela primeira vez, surpreendidos e nos escondemos? Camila e Madalena ouviram-nos mexer e julgaram que eram lobos ou ladrões. João pôs-se diante delas para as proteger, e Leão, ao contrário, por detrás; eu bem vi através da folhagem o seu ar aterrado e pensei que, se fizéssemos qualquer novo ruído, ele fugiria, em vez de ajudar João a defender-se. Era a isso que eu me referia quando disse aquelas palavras tão más.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi, abraçando-o, a sorrir - És um excelente rapazinho; meu Tiago; para outra vez não tornes a fazer o que hoje fizeste; eu vou, pela minha parte, mandar acabar a casa dos teus primos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago beijou o pai e foi, muito contente, juntar-se aos companheiros, que brincavam na relva do parque.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">No dia seguinte, quando os pequenos, acompanhados de Sofia e Margarida, foram ao jardim, para continuarem as barracas, ficaram surpreendidíssimos ao vê-las ambas prontas, e mesmo com portas e janelas! Estavam pasmados! Sofia, Tiago e Margarida olharam-nos, rindo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Como é isto? - disse Leão, finalmente. - Porque milagre se concluiu assim, de repente, a nossa casa? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Porque já era tempo de acabar com uma brincadeira que poderia dar maus resultados - disse o Sr. Traypi, saimdo de entre as árvores. -Tiago contou-me o que houve entre vós, e pediu-me que os ajudasse a vocês como até então o ajudara a ele. E confesso também que receei outra batida como a que me fizeram ontem. Passei todas as aflições de um verdadeiro criminoso e estive, por duas vezes, a dois passos dos meus perseguidores. Tu, João, se não fosse o Tiago, tinhas-me apanhado; e tu, Leão, passaste rente a mim sem me ver.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Que nos diz? Foi então o tio que tanto nos fez correr? Pode orgulhar-se de ter umas boas pernas! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi, a rir - Ah! que na minha mocidade era considerado o mais resistente corredor do colégio. E ainda conservo alguma coisa disso, segundo se vê.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">As crianças agradeceram ao tio o ter-lhes mandado acabar as barracas. Leão beijou Tiago, que lhe pediu perdão em voz baixa. - Cala-te - disse aquele, corando levemente. Não se fala mais nisso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">É que Leão sentia quanto tinha havido de verdadeiro na observação de Tiago. Prometeu a si mesmo fazer todo o possível por não a tornar a merecer.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Era preciso, agora, mobilar as casas; cada um dos pequenos pediu e obteve uma porção de preciosidades, como tamboretes, cadeiras velhas, mesas fora de uso, restos de cortinados, porcelanas e cristais partidos. Levaram tudo que puderam apanhar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Venham cá ver - gritava Leão - o nosso bonito tapete.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- E nós, em vez de tapete, temos um oleado - respondia Sofia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Venham sentar-se neste banco: é tão cómodo como as poltronas da sala de visitas-dizia João.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- O que ainda não viram foi este armário cheio de chávenas, copos e pratos - replicou Margarida.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- E as nossas provisões? Compota, açúcar, biscoitos, cerejas, e chocolate-acrescentou Camila.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Nós é que tivemos juízo - dizia Tiago -, pois, enquanto vocês se preocuparam com lambarices, fortificámos o estômago com coisas mais substanciais: pão, queijo, presunto, manteiga, ovos e vinho.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Tanto melhor-replicou Madalena. -Quando vos convidarmos para almoçar ou merendar, vocês trazem o salgado e nós damos o doce.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Dia a dia se acrescentava alguma coisa ao bom aspecto e conforto das barracas de que o Sr. Rugés e o Sr. Traypi se tinham encarregado. No fim das férias, as casas transformadas apresentavam-se com atraente aspecto; as fendas das tábuas haviam sido cobertas de musgo, as janelas guarnecidas de cortinados; o chão coberto de areia fina. Pouco a pouco, tinham levado para lá cadernos e livros, e ali mesmo estudavam. O comportamento dos pequenos era então exemplar. Quando chegasse o momento da despedida, as barracas seriam um dos motivos de pesar. Mas as férias deviam durar perto de dois meses, e ainda os nossos pequenos heróis estão no terceiro dia de férias e têm muitos outros para brincar.</span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">VISITA AO MOINHO </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Proponho um grande passeio ao moinho, pelo caminho do bosque - disse o Sr. Rugés. - Vamos ver o novo maquinismo instalado por minha irmã, e, enquanto nós estivermos a examinar as máquinas, os meninos brincam na relva, onde lhes será servida uma boa merenda campestre: pão de centeio, leite, queijo, manteiga e bolachas caseiras. Quem gostar de mim que me siga!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Todos, imediatamente, o cercaram.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Parece que todos me estimam-continuou o Sr. Rugés, a rir. - Vamos embora!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Olá, olá, mais devagar, meninos! Nós não podemos ir com essa pressa! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Os pequenos, que tinham partido a galope, voltaram e rodearam os pais.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Foi encantador o passeio; a frescura do bosque temperava o ardor do Sol; de vez em quando as crianças sentavam-se, palestravam, colhiam flores, apanhavam amoras.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Cá estamos junto do célebre carvalho, onde perdi, um dia, a minha boneca-disse Margarida. Não esquecerei nunca a pena que senti quando, ao deitar-me, dei pela falta dela e me lembrei de que ficara no bosque, exposta à chuva. (1)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">(1) Veja As Meninas Exemplares, da autora.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- De que boneca falas? - perguntou João. Não conheço esse caso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Aconteceu há muito - disse Margarida. -Foi a Joaninha que me levou a boneca.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Qual Joaninha? A filha da moleira? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Essa mesma. E a mãe muito lhe bateu Íamos longe e ainda ouvíamos chorar a rapariga.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Conta-nos isso, Margarida. Como os nossos pais se sentaram também, temos tempo de ouvir a tua história.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida sentou-se na relva, à sombra do mesmo carvalho, junto do qual a boneca ficara esquecida; contou-lhes a história e como a boneca fora encontrada em casa de Joaninha, que a levara.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Essa Joaninha é muito má, nesse caso - disse Tiago. - E modificou-se, desde então? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Modificar-se? Essa agora! É a pior aluna da escola.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - A mamã diz que é uma ladra. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Margarida, Margarida! Não deves repetir isso. Estás a desacreditar uma pobre rapariga, talvez arrependida das suas faltas passadas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Não está arrependida, asseguro-te. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Mas como podes ter a certeza disso? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Pelo seu ar atrevido. Passa sempre por nós com o nariz arrebitado; nem na igreja se porta decentemente; enfim, acho-lhe um aspecto falso e mau.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - É assim, é; e eu já falei nisso à mãe. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - E que disse a tia Léonard à Joaninha? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Suponho que nada, visto que não se modificou.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - E esqueceu-te contar qual foi a resposta da mãe: Olhe, que é que a menina tem com isso? A gente não se mete na sua vida; não se meta a menina na nossa.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Essa é boa! Então ela respondeu-te assim? Se eu lá estivesse, comigo se havia de haver, e a Joaninha também.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena, sorrindo - Foi uma sorte não estares. A tia Léonard começava logo a discutir contigo e ter-te-ia dirigido algum pesado insulto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Insulto! Isso sim! Dava=lhe tantos socos e pontapés. Não sou para brincadeiras 1 Em poucos</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">minmutos, desfazia-a.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, encolhendo os ombros- Mas que gabarola! Ela é que te dava uma coça! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Uma coça a mim! Quererás tu experimentar? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E, dito isto, levantou-se, tirou o casaco e preparou-se para a luta. Tiago ofereceu-se para combater a seu lado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Todos os pequenos se puseram a rir. João, sentindo o ridículo do que dissera e fizera, tornou a vestir o casaco e riu de si próprio com os outros. Leão pôs-se a implicar com Tiago, que correspondeu da mesma forma; e, como Margarida se colocasse ao lado deste, Leão começou a enfurecer-se. Os outros meninos olhavam-se de soslaio e procuravam apaziguar mais esta disputa, mas não o conseguiam.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão levanta-se e quer bater em Tiago, que, mais ágil, lhe escapa sempre e lhe faz negaças. Limpa a fronte, transpirando por todos os poros, e não domina o furor.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Anda ajudar-me - diz ele a João. - Estás para aí indiferente a ver- me correr, sem vires em meu auxílio. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Em teu auxílio, para quê? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Para agarrar este garotelho, com a breca! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão, friamente - E depois? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Depois&#8230; para me ajudares a dar-lhe uma lição.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Que lição? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - De respeito e delicadeza para comigo, que tenho quase o dobro da sua idade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - De respeito! Ah! Sempre me saíste uma pessoa muito respeitável! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Submeter-nos a ti, é o que tu querias. Não nos faltava mais nada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Em qualquer caso, e ainda mesmo quando Tiago se tivesse ofendido, não me punha a teu lado contra ele, porque é mais pequeno e tem, como tu mesmo disseste, metade da tua idade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão-Tornas-te aborrecido com esses nobres sentimentos e essa estúpida generosidade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Chamas a isto generosidade! Achas justo que dois rapazes de tréze e doze anos se juntem contra um pequeno de sete, que nenhum mal lhes fez? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Então isto de estar a arreliar-me há um quarto de hora não é nada? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Ora! Também tu lhe fizeste o mesmo. Descarta-te sòzinho. Tanto pior para ti, se ele te leva a palma.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago ouvira tudo sem proferir uma palavra. No seu rosto inteligente e expressivo traduzia-se o que lhe ia no íntimo: reconhecimento e afecto para com um, pesar de ter ofendido o outro. Aproximou-se pouco a pouco, e depois correu para Leão, dizendo: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Perdoa-me por ter-te feito zangar; reconheço</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">que fiz mal; e levei Margarida a proceder mal; ela arrependeu-se já também; não é assim, Margarida? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Sim, Tiago, claro que estou arrependida; e Leão de boa vontade nos há-de perdoar, pensando que, como somos os mais novos, nos sen timos mais fracos, e que, à falta de força, temos de recorrer às palavras.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão nada disse, mas estendeu a mão a Margarida e depois a Tiago.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Os pais, sentados mais longe a conversar, levantaram-se para continuar o passeio. Os pequenos seguiram-nos; Tiago aproximou-se de João e disse-lhe com ternura:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- João, sou muito teu amigo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Eu também, e agradeço-te o teres defendido de Leão o meu querido Tiago.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E, falando-lhe baixinho ao ouvido, acrescentou: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Não gosto do Leão.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João sorriu, beijou-a e respondeu-lhe: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- É engano teu; afianço-te que ele, no fundo, é bondoso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Mas procede sempre como se o não fosse.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - É bom, mas ao mesmo tempo é arrebatado: não devemos fazê-lo zangar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Como? Se se zanga por tudo e por nada. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João- Ora confessa: tu e Tiago tendes prazer em o excitar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago e Margarida olharam um para o outro, sorriram, e confessaram que Leão os irritava com o seu ar escarninho, e que sentiam prazer em contrariá-lo: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Então, vejam se são capazes de não o irritar e nunca mais terão motivos de queixa.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Enquanto conversavam, foram-se aproximando do moinho; os pequenos viram, com surpresa, que uma grande multidão o rodeava; toda aquela gente parecia muito agitada; alguns andavam de um lado para o outro, formavam grupos aqui e além e voltavam a juntar-se uns com os outros. Era bom de ver que, no moinho, alguma coisa de anormal corria.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Aconteceria alguma desgraça? - perguntou a Sr. de Rosbourg.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Aproximemo-nos; dentro em pouco saberemos do que se trata - respondeu a Sr.a de Fleurville.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">As crianças olhavam com curiosidade e inquietação. Quando chegaram mais perto, começaram a ouvir gritos, mas não de dor; eram vozes de cólera. imprecações, insultos. Em breve se distinguiram uniformes de polícias; uma mulher, um homem e uma rapariguita debatiam-se, seguros por dois deles. A rapariga e a mãe soltavam altos gritos e queixumes, o homem</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">praguejava. Os polícias faziam todos os esforços para</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">não os deixar fugir. Os pequenos reconheceram, finalmente, o tio Léonard, Joaninha e a mãe.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Tenha paciência, mulher, porte-se com termos, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">não nos obrigue a algemá-la - dizia um polícia. Cumprimos as ordens que nos dão.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Tia Léonard - Não vou! Não vou! Polícias malditos, carrascos dos pobres! Não sou<span> </span>assim tão</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">estúpida! Se me levais para a prisão, fico lá a apodrecer até ao juízo final.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Polícia - Vamos, tia Léonard, seja razoável; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">está a dar um mau exemplo a sua filha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Tia Léonard - Quero lá saber da minha filha!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Foi essa palerma que nos fez apanhar. Levem-na a</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ela, que não me importo com isso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Largas-me ou não, madraço? - gritava o tio</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Léonard a outro polícia, que o segurava pela gola do</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">casaco. - Espera lá, animal, que te estendo já com</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">uma rasteira!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Os polícias nada respondiam a estas injúrias, e a</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">outras que não dizemos. E, vendo como eram inuteis</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">os seus esforços para levar os seus prisioneiros, fizeram sinal a um terceiro polícia. Este tirou do bolso umas</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">correias. Apesar dos agudos gritos de Joaninha e da</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mãe, e dos insultos do pai, os polícias ataram-nos de</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">pés e mãos, sentando-os, assim algemados, num banco, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">enquanto um deles ia buscar uma carroça para os</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">conduzir à prisão.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr.a de Fleurville e as outras senhoras tinham </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ficado, com os pequenos, um pouco afastadas da cena; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">os Srs. Rugés e Traypi aproximaram-se para se informarem das causas da prisão. Seguiram-nos os filhos</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">do primeiro. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Por que motivo prendem a família Léonard?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- perguntou o Sr. Rugés.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Por motivo de roubo, senhor-respondeu, delicadamente, um dos polícias, levando a mão ao chapéu.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Há muito tempo que existem queixas contra eles; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mas, como são muito hábeis, não apareciam provas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Num dos últimos dias, porém, a rapariga descuidou-se, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e esse descuido descobriu tudo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Rugés - Pode contar-me o caso com</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">pormenores? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Policia - Segundo parece, os Léonard roubaram uma peça de pano que estava a branquear ao</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">sol. Esconderam-na dentro da masseira, debaixo da</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">farinha; mas, de noite, a rapariga pôs-se a pensar no</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">caso e disse lá consigo: Já que o meu pai e a minha</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mãe roubaram a peça de pano da tia Marún, bem</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">posso eu roubar-lhes a eles um pedaço para o vender</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e comprar pastéis e rebuçados. Dito e feito: levanta-se a moça e vai cortar um grande pedaço de pano.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Como era véspera de mercado resolveu vendê-lo logo</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">no dia seguinte. Sem nada dizer aos pais, lá vai ela.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Vê a filha dos Chartier, chama-a e oferece-lhe o tecido.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Quanto é? - pergunta a outra.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- São bem uns seis metros; dá-lhe duas camisas</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">à vontade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- E quanto queres? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Ah! levo-lhe barato; dê-me cinco francos e é</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">negócio arrumado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Seja, compro-te o pano.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Ficaram as duas muito contentes: a Léonard com</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">os cinco francos e a Chartier com a vantajosa compra.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Mas, quando esta chega a casa com o pano e o vai</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mostrar à mãe, fica muito admirada de ver o quarto</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">encher-se de farinha, ficando as duas brancas como</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">moleiras.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Isto que é? - disseram. E foram sacudir o</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">pano para a porta da casa. Entretanto passa por ali</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">a tia Martin.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Onde vai tão apressada? - pergunta-lhe a tia</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Chartier.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Vou queixar-me à polícia: roubaram-me uma</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">peça de pano.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Pois eu acabo de comprar seis metros de pano muito barato.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Olha! - disse a tia Martin. - Mas é muito parecido com o meu! E que é que lhe estão a fazer? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- A sacudi-lo. Estava coberto de farinha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Essa agora, pano coberto de farinha! Mas quem o vendeu? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Foi a filha dos Léonard.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- A filha dos Léonard? Como é que ela arranjou tecido tão fino? Ora mostrem-mo cá: parece-se a valer com o meu! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A tia Martin pega no pano, examina-o, olha-o numa das pontas e reconhece o sinal que lhe pusera. Ficaram as três muito impressionadas: a tia Martin, contente por estar na pista que procurava; a tia Chartier, aborrecida por ter dado cinco francos por uns metros de tecido roubado. Vieram então as três procurar- me e contar-me o que se passara.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- A tia Chartier comprou o pano todo? - pergunto à tia Martin.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Muito longe disso! - respondeu ela. - Eram perto de cinquenta metros.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Então precisamos de apanhar os quarenta e quatro que faltam, tia Martin. Deixe isso comigo. Vamos estar alerta no mercado; se a tia ou o tio Léonard lá forem com a peça para a vender, prendo-os; senão irei amanhã, com os meus camaradas, passar uma busca ao moinho.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Mas se eles vendem o pano a um vizinho? perguntou a tia Martin.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Qual história! Toda a gente sabe que roubaram o pano, vendê-lo a um vizinho seria imprudência.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Pus-me em campo com os camaradas, mas nada encontrámos, nem no mercado, nem na cidade. Em face disso, viemos esta manhã passar aqui uma busca, com a ordem de prisão no bolso. Já tínhamos virado tudo do avesso. Os Léonard cobriram-nos de insultos. Por fim, ocorre-me a ideia de abrir a masseira; estava cheia de farinha; remexo com a bainha do sabre. Os Léonard gritam que lhes dou cabo da farinha; mas eu não</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">desisto e eis senão quando apanho um bocado de pano; começo a puxar e o pano a sair; era toda a peça da tia Martim. Os Léonard querem fugir mas os camaradas estavam de guarda às portas e janelas. Pren demo-los. Prendo também a rapariga, que grita a sua inocência. Conto a história do pano coberto de farinha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A rapariga põe-se a chorar; a mãe atira-se a ela e o pai também. Se nós não lhe tirássemos a rapariga das mãos, faziam-na em bocados. Tudo isso durou algum tempo e começou ajuntar-se gente; mais do que é para desejar, porque custa muito ver uma rapariga tão nova nesta situação, e encontrar pais que contribuíram com o seu mau exemplo para a desgraça de uma filha: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Você é um homem honrado e digno - disse o Sr. Rugés, estendendo- lhe a mão. - O sentimento de humanidade que manifesta para com esta gente que o cobriu de insultos é nobre e generoso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O polícia pegou na mão do Sr. Rugés e apertou-a comovidamente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- A nossa função é, por vezes, penosa, e pouca gente a vê com bons olhos; muito raramente encontramos quem a compreenda como V. Ex.a.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão e João tinham, atentamente, escutado a narrativa. As senhoras e os pequenos haviam-se também aproximado para ouvir os Léonard. Entretanto recomeçaram os insultos e gritos, e as senhoras pensaram que, na impossibilidade de fazerem então alguma coisa a favor dos desgraçados moleiros, era mais sensato afastarem-se, evitando, assim, que as crianças se impressionassem com aquele triste espectáculo. A Joaninha foi separada dos pais, porque estes, apesar de algemados, queriam ainda maltratá-la. As Sr.as<span> </span>de Fleurville e de Rosbourg e os companheiros de passeio dirigiram-se para um ponto da floresta afastado do moinho, donde se não via nem ouvia o que ali se passava. As crianças caminhavam tristes e silenciosas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Rugés mandou fazer alto e dispor no chão as provisões que traziam. As crianças não se fizeram rogadas; comeram com muito apetite daquela merenda rústica: queijo, requeijão, manteiga, bolachas e morangos silvestres. Conversaram, enquanto comiam, sobre a Joaninha e os pais.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Como é que Joaninha chegou a ponto de roubar e vender o pano com tal audácia? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr. a de Fleurville - O pai e a mãe deram-lhe exemplos de roubos e mentira. A mim também muitas vezes roubaram, fazendo-se ajudar por ela. A pequena acabou por querer tirar, desses roubos, proveito próprio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Mas como podia ela ir à igreja e ao catecismo? Como é que não receava que Deus a castigasse pela sua maldade? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr.a de Fleurville - Portava-se na igreja muito mal bocejava, espreguiçava-se, deitava-se nos bancos; Isto prova que a sua intenção, ao ir à igreja, não era rezar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Mas ela deve ter aprendido no catecismo que se não deve roubar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr.a de Fleurville - Aprender, aprendia ela, mas sem prestar atenção ao que aprendia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Ah meu Deus! É justamente o que se passa connosco: se fizéssemos tudo o que o catecismo ensina nunca cometeríamos nenhuma má acção. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Ora, João, fala por ti e deixa os outros! Eu, pela minha parte, faço tudo quanto o catecismo manda.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Com essa não me iludes tu!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Estás a meter-te onde não és chamado, falando do que não entendes.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Inspiras-te, para essa resposta, no catecismo? E será ele que te aconselha a bateres-me quando estás zangado, a dizeres tolices e, ainda, a fazeres toda a espécie de maldades? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Que grande tolo! Se não fosses um miúdo, obrigava-te a mudar de tom.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Se eu não fosse um miúdo e, principalmente, se não fosse o meu pai e o meu tio&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi, severamente - Cala-te, Tiago; estás sempre a provocar o Leão, que não brilha pela serenidade. Bem o sabes.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Sei muito bem, meu pai! e sei também que faço mal, mas é tão tentador arreliá-lo. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi - Como? Que prazer podes encontrar em dizer coisas desagradáveis ao teu primo, mais velho do que tu? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Mas é justamente por ser mais velho; e como o pai estava perto para me defender. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi, severamente - Procedes mal, Tiago! Não está bem; não tornes a fazer o que fizeste. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Rùgés - Também tu, Leão, mereces reprimenda, e mais severa que Tiago, visto seres o mais crescido de ambos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Suponho que, desta vez, não fiz nada de mal.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Rugés - Foste orgulhoso, impertinente, aborrecido; não tornes a fazer outra! Fica sabendo que, se eu entrar nas tuas discussões, não será para me pôr a teu lado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Para esquecer tudo - disse a Sr. a de Fleurville levantando-se-, proponho que vamos jogar as escondidas todos nós, grandes e miúdos, novos e velhos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Bravo, bravo! Há-de ser divertido - exclamaram as crianças, em coro. - Vamos ver quem é que fica.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Devem ficar dois - disse a Sr.a de Rosbourg- seria muito dificil um só agarrar alguém.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Então fico eu e a minha irmã - disse o Sr. Traypi-, depois, o Sr. Rugés e a Sr.a de Rosbourg; irão, sucessivamente, ficando os que se deixarem agarrar. Uma. duas. três! Começou o jogo! A malha é na árvore junto da qual nos encontramos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Todos dispersaram para se esconder nas moitas ou por detrás das árvores.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- É proibido subir às árvores! - gritou<span> </span>a<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sr.a Traypi.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Hu hu! - gritavam de todos os lados.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Pronto - disse o Sr. Traypi. - Vá por este</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">lado, minha irmã; e eu procurarei pelo lado oposto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Lá foram devagarinho, cada qual pelo seu lado, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">caminhando na ponta dos pés, olhando<span> </span>por detrás<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">das árvores, examinando as moitas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Atenção! - gritou a Sr.a de Fleurville. - Oiço</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">o estalar de ramos do vosso lado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Apanhei um - exclamou o Sr. Traypi, metendo-se pelo mato dentro.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Mas falara antes do tempo: Camila e João partiram como setas, chegando à malha antes que os<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">agarrassem.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Entretanto a Sr.a de Fleurville, descobrindo</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão e Madalena, pôs-se a correr<span> </span>atrás deles; .</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">o Sr. Traypi foi ajudá-la; enquanto os perseguiam, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">viram Margarida e Tiago que corriam para a malha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Julgando estes mais fáceis de apanhar, a Sr.a de Fleurville deixou os outros e pôs-se a persegui-los; mas, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">jovens como eram, e correndo muito<span> </span>mais, chegaram à malha no momento em que os ia mesmo a</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">alcançar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Esfalfada, a Sr.a de Fleurville deitou-se a rir na</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">relva, e ali ficou alguns instantes para tomar fôlego.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Foi depois auxiliar o irmão, que se esforçava por apanhar Leão, Madalena e outros; quanto a Sofia, ainda<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">não a tinham encontrado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">À custa de habilidade e de perseverança, o<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sr. Traypi acabou por os apanhar a todos, apesar</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">das artimanhas de que usavam, no meio de grande</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">gritaria e fazendo todos os esforços para lhe escapar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Sofia, Sofia! - gritavam-, diz<span> </span>hu! para</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">sabermos de que lado estás. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Ninguém respondia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A inquietação começou a apoderar-se da Sr. de</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Fleurville.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- É estranho que não responda, se está realmente escondida - disse ela- oxalá lhe não tenha acontecido alguma desgraça.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Se calhar foi para longe de mais - disse o</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sr. Rugés.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Queira Deus que não se perca, como há três<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">anos! - replicou a Sr.a de Rosbourg.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Ah pobre Sofia - exclamaram Camila</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e Madalena. - Vamos procurá-la.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Vamos, vamos todos, mas que cada um dos pequenos vá acompanhado por um de nós - disse o Sr. Traypi.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Dividiram-se em grupos e puseram-se todos à<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">procura de Sofia, chamando em altas vozes. Ressoavam os gritos na floresta, mas nenhuma resposta se ouvia. A imquietação aumentava de momento a momento; as crianças procuravam com um interesse em que se traduzia afeição e receio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João e a Sr. de Rosbour julgaram, finalmente, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ouvir uma voz abafada chamar por socorro. Pararam</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e puseram-se à escuta&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Não se tinham enganado. Era Sofia quem</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">chamava.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Soeorro! Socorro! Salvai-me, meus amigos!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Sofia, Sofia, onde estás? - gritou João, atónito.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Perto de ti, na árvore - respondeu Sofia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Mas onde, onde? Meu Deus! Não vejo. E João, aflito, desolado, procurava, olhava para todos os</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">lados, para as árvores, para o mato, mas não via Sofia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Toda a gente viera para junto deles. Todos se</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">empenhavam naquela busca ansiosa.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Sofia, querida Sofia - gritou Camila. - Onde<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">estás? Em que árvore? Não há maneira de te vermos. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia, com voz abafada - Caí no tronco oco; morro</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">se não me tiram daqui.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Que se há-de fazer? - exelamaram. - E se<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">se fosse buscar uma corda?..</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João reflectiu um momento, despiu o casaco </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">e começou a subir pelo tronco acima.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Que vais fazer? - gritou Leão. - Cais lá dentro como lhe aconteceu a ela! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Imprudente-exclamou o Sr. Rugés. -Desce! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Mas João trepava com agilidade tal, que prontamente chegou ao cimo do tronco apodrecido. Tiago<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">seguira-o, e chegou junto dele antes que os pais tivessem tempo de lho impedir. Levava o casaco de João e</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">tirou o seu. João, ao ver Sofia no fundo do tronco, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">exclamara:</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Uma corda! uma corda! Tragam depressa uma</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">corda! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Logo Leão, Camila e Madalena começaram a<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">correr em direcção ao moinho. Mas Tiago, seguindo<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">a sua ideia, passou os dois casacos a João, que atou, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ràpidamente, uma das mangas do seu a uma do de<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago, improvisando assim, uma corda de salvação<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">que meteu pelo buraco abaixo, dizendo: </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Agarra-te bem, Sofia! Segura-te bem com</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ambas as mãos. Tenta ajudar-te com os pés, na<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">subida; nós puxamos. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Auxiliado por Tiago, João puxou com toda a<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">força. O Sr. Rugés tinha subido para junto deles e</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ajudou-os também a tirar a infeliz Sofia, cuja cabeça, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">pálida e alterada, apareceu no cimo do tronco. No<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mesmo instante começaram os casacos a rasgar-se.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia soltou agudo grito; João agarrou-lhe uma das</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mãos; o Sr. Rugés a outra, e retiraram-na assim<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">daquela árvore, que estivera quase a servir-lhe de sepultura. Tiago desceu ràpidamente; o Sr. Rugés, mais<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">devagar, segurando Sofia, meio desmaiada; e depois<span> </span>; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João. A Sr.a de Fleurville e todas as outras senhoras</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">rodearam a pobre menina. Margarida abraçou-a, a<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">chorar, ao que Sofia respondeu, beijando-a com ternura. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Logo que pôde falar, agradeceu a João e a Tiago, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">muito afectuosamente, o terem-na salvo. Quando</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila, Madalena e Leão chegaram arrastando uma</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">corda de vinte metros de comprido, Sofia estava refeita do transe por que passara; levantou-se para caminhar ao encontro dos seus amigos; sorriu ao ver aquela corda tão grande.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Obrigada, queridos amigos - disse ela. - Julgavam-me, com certeza, no fundo de algum poço para trazerem uma corda tão comprida&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Não sabíamos ao certo onde estavas e agarrámos na maior que nos apareceu à mão.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Sim, porque o Leão disse: De uma grande de mais não virá mal; sendo muito pequena pode ocasionar a morte de Sofia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Pobre Sofia! Esta floresta é-nos fatal.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr.a de Fleurville - Aqui a temos já livre do terror por que passou; que ela nos explique agora como se deu o acidente.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Rugés - É verdade, tinha-se combinado não trepar às árvores. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia, embaraçada - Eu queria&#8230; esconder-me melhor que os outros. Pus-me detrás deste carvalho, e pensava que, encobrindo-me com o tronco, não dariam comigo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr.a Traypi - Ah, essa agora! Eu agarrei Madalena e Leão que estavam escondidos atrás de</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">uma grossa árvore.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia -Justamente porque de longe os vi serem agarrados, procurei mais seguro esconderijo. Os ramos da árvore eram baixos, o que me permitiu subir de</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">ramo em ramo. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Quer dizer que não respeitaste o combinado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - E que Deus te castigou.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia- É verdade, sim! Deus castigou-me. De ramo em ramo, cheguei a um ponto em que o tronco da árvore se separava em vários ramos muito grossos; havia uma reentrância coberta de folhas secas; nunca me passou pela cabeça o que ia acontecer.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Subi e no momento em que pousava os pés no que eu supunha o ponto mais sólido da árvore, senti abaterem-se a casca e as folhas secas; e, antes de poder agarrar-me aos ramos, senti-me cair até ao fundo. Gritei, mas a voz era abafada pelo terror e também pela profundeza da concavidade onde caíra.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Pobre Sofia! Que angústia deves ter sentido! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - Estava meio morta de medo. Cheguei a pensar que nunca mais davam comigo, porque compreendi que a minha voz não se ouvia do fundo do tronco. Voltou-me um pouco a coragem quando senti chamar de todos os lados; redobrei os esforços para gritar; ouvia-vos passar perto da árvore, e, com desânimo, reconheci que até vós não chegavam os meus gritos. Enfim, o nosso querido e corajoso João ouviu-me, e salvou-me com o auxílio do meu Tiago.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Foi ele quem teve a ideia de atar um ao outro os dois casacos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- um leãozinho - disse Madalena, beijando-o. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão, com ar de zombaria - Chama-lhe antes esquilo, visto que sobe com agilidade às árvores.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida, com vivacidade - Cada um tem a sua agilidade; uns sobem às árvores como esquilos, correndo o perigo de se matarem; outros correm, como coelhos, cheios de medo! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr.a de Rosbourg - Margarida! Margarida! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">juízo! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Mas, minha mãe! Leão quer diminuir o mérito de Tiago; contudo, ele próprio achara perigoso ir em socorro da pobre Sofia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Alguém tinha de ir buscar a corda.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Olha que a tua corda serviu para uma grande coisa, não há dúvida! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr.a de Fleurville - Vamos, meninos, nada de questões; tu, Leão, não te deixes cegar pela inveja, nem tu, Margarida, pela cólera, e agradeçamos a Deus ter tirado a pobre Sofia do perigo em que estava.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">Regressemos a casa; é tarde, e precisamos todos</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">de repouso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Levantaram-se e dirigiram-se para casa, comentando, animadamente, os acontecimentos daquela</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">manhã.</span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">BIRIBI</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sr.a de Fleurville tinha um cão de guarda que as meninas haviam criado. chamava-se Biribi - nome dado por Margarida e Tiago. Tinha dois anos; era corpulento e forte, da raça dos cães dos Pirinéus, que se medem com os ursos; fora sempre muito dócil para com a gente da casa e para com os pequenos, que brincavam muitas vezes com ele, o atrelavam a um carrito, e o atormentavam com as repetidas festas que lhe faziam; nunca, porém, viera de Biribi mordedura ou arranhadela.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Um dia, o Sr, Traypi disse aos pequenos que ia lavar o seu cão de caça, Milorde, em águas de aloés.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">-Querem vir comigo? Ajudar-me-ão a lavarMilorde e a limpá-lo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Sim, vamos - responderam, em coro, as crianças.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Abandonaram Biribi, que estavam a atrelar a um carrinho de boneca, e correram, com o Sr. Traypi, à lavandaria, para verem lavar o cão. Milorde não estava lá com ar muito satisfeito. Quando o Sr. Traypi entrou, o pobre cachorro quis correr para ele, mas o cocheiro e um criado seguraram-no cada um por uma orelha, impedindo-o, assim, de se escapar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Vamos, Milorde - disse o Sr. Traypi. - Salta: para dentro da selha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">E ajudou o cão, segurando-o pela pele do pescoço. Milorde, dentro da selha, fez tais coisas, que</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">começou a borrifar toda a gente. Madalena e Margarida, que estavam mais perto, foram as mais atingidas; uma gargalhada geral acolheu esta proeza do</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">cachorro; o pai de Tiago também ficou muito molhado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Paciência - disse ele -, mudaremos de roupa;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">agora aproveitemos o estar já molhados para lavarmos o Sr. Milorde o melhor possível.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Todos os pequenos, com efeito, tomaram parte</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">na obra, contribuindo para o suplício do cão; um</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">mergulhava-lhe o focinho, outro a cauda, outro ainda</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">atirava-lhe água às orelhas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O pobre Milorde suportava aquilo tudo com ar</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">tristonho; de tempos a tempos lambia a mesma mão</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">que o cobria de água, como se pedisse compaixão.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Pobre cão - disse<span> </span>Tiago. - Papá, deixa-o</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">sair, peço-lhe; faz-me pena.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi - Não, ele ainda não está tão</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">lavado como é preciso; deita-lhe mais água em vez</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">de o lamentares.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Margarida - Mas por<span> </span>que motivo lhe dá este</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">banho, se ele anda limpo?..</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi - É para lhe matar as pulgas; anda</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">coberto delas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Mas então a água mata as pulgas? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi - Mata-as quando tem em dissolução pó de aloés.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Não sabia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - E empréga-se muito pó? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi -Não, cinquenta gramas por litro</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">de água.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Pois eu, quando<span> </span>for crescido, hei-de</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">lavar os cavalos nesta água.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Toda a gente se pôs a rir.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi, a rir - Os cavalos não têm pulgas, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">meu lorpinha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago, um tanto atrapalhado - Se não têm pulgas, têm moscas que os picam, e suponho que o aloés, assim como mata pulgas, também pode matar moscas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">O Sr. Traypi, sempre a rir - Isso não te posso dizer; nunca fiz a experiência. Estás a ver que não é muito fácil conseguir uma selha onde caiba um cavalo; e, mesmo quando a conseguíssemos, as moscas fugiriam e não se deixariam afogar! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - De mais a mais, como é que se havia de conseguir que o cavalo entrasse na selha? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Eu é que não intentava consegui-lo. Entretanto, Milorde acabara o banho. Começaram a limpá-lo. Depois, deixaram-no ficar a secar-se ao sol; e em seguida, despejada a água da selha, toda a gente dispersou. Não se pensou mais em Milorde; os pequenos quiseram continuar a brincadeira com Biribi, mas este aproveitara a interrupção para desaparecer. No dia seguinte, o guarda veio dizer à Sr. de Fleurville que Biribi não fora ainda encontrado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Pobre Biribi! Onde estará ele? </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">A Sra de Fleurville - Foi, talvez, visitar alguns dos seus amigos, pelos arredores. Vai tu procurá- lo, Nicásio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Nicásio - Sim, minha senhora! Já de manhã o procurei e perguntei por ele, mas ninguém o viu.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">João - Se a tia dá licença, depois do almoço vamos procurá-lo pelas aldeias mais próximas, numa das quais é de esperar que se encontre.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sr. de Fleurville - Claro que dou licença! Nicásio irá convosco; mas não basta que eu ache bem: deveis pedir autorização a vossos pais para que eles se não inquietem com a vossa ausência.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia - É preciso levar qualquer coisa para a merenda.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Camila - Não pedimos de comer à Sra Marel ou ao senhor Abade.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Madalena - Em qualquer parte nos hão-de dar, pelo menos, pão e sidra.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Tiago - Há-de ser um excelente passeio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Leão - Devemos partir logo depois do almoço, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">para haver tempo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">joão - Não sem antes pedirmos licença aos</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">nossos pais.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">Todos os pequenos, excepto Camila, Madalena e</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"><span style="font-family: " lang="EN-US">Sofia, que tinham já autorização, foram ter com os</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">pais e pediram-lhes licença para dar aquele grande</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">passeio.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">- Papá-disse Tiago, ao ouvido do Sr. Traypi-, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: " lang="EN-US">venha connosco: o passeio torna-se, dessa maneira, </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-f