A Anita, o João e o Pantufa vão viajar de comboio no sábado. - A que horas é a partida para Dieppe?
- Depende dos dias. Vamos consultar os horários … - Oh, pai, há um perto do meio-dia!
Mas não ao sábado! Terão de ir no da uma e meia.
- Que horário tão complicado! Que significam todos estes sinais?
- Repara, Anita, vem aqui explicado: este comboio só circula aos domingos e dias feriados; este é suprimido ao sábado e este tem carruagem-restaurante.
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No dia da partida, os pais da Anita vão acompanhar os filhos à estação.
- Dois bilhetes para Dieppe - pede o pai na bilheteira.
- É uma pena que os pais não possam vir hoje connosco. - Quando parte o comboio?
- Daqui a um quarto de hora. Aqui têm os bilhetes. Não os percam porque o revisor vai pedi-los.
Aparece um carro a transportar bagagens.
- Olha, olha, aquela bicicleta vai viajar! … Mas, é a minha! - exclama a Anita.
- Sim, filha. Vai como mercadoria mas entregam-ta à chegada.
Cais número 5. O comboio Foguete espera os passageiros. Um mecânico faz uma última vistoria ao motor eléctrico: uma máquina novinha em folha que está ansiosa por se pôr em marcha. E então com uma destas forças! Parece um monstro com aqueles enormes pára-choques e grandes faróis. O maquinista levanta o braço e diz: - Bom dia a todos e … boa viagem
O chefe da estação consulta o relógio, com a bandeira na mão. - Não se podem demorar. Depressa, Anita!
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A Anita e o João instalam-se na carruagem. Conseguiram um bom lugar, à janela. A Anita está emocionada porque é a primeira vez que viaja só com o irmão. Os pais ficaram no cais. A partida é daí a alguns segundos.
- Portem-se com juízo! - grita a mãe.
- Não te preocupes. Vai correr tudo bem … Até à vista!
- Telefonem logo que cheguem.
O chefe da estação dá o sinal e o comboio começa a andar, primeiro devagar, mas vai ganhando velocidade. Os pais da Anita desaparecem no meio da multidão. Mas… que se passa no cais? É um passageiro que corre atrás do comboio com a gravata ao vento e a segurar o chapéu! Decerto adormecera depois do almoço.
Paciência! Terá de apanhar o próximo comboio. Todos sabem que não se deve subir com o comboio em andamento. É muito perigoso.
Luz verde, mudança de agulhas e o comboio passa de uma linha para outra, no meio de sacudidelas.
A Anita toma conhecimento com os outros passageiros:
- Nós vamos a um casamento - diz um garoto.
- Eu estou a fazer um vestido para a boneca da minha irmãzinha - explica uma garota enquanto conta as malhas. O senhor que está em frente da Anita não diz nada. Lê um jornal.
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- O que vem aí escrito? Deve ser alemão. Não percebo patavina … Olha, tem uma história aos quadradinhos! Ler no comboio nem sempre é fácil! Estes dois músicos viajam de terra em terra, a pé, à boleia ou de comboio.
- Não ficam cansados?
- Repousamos às vezes. E vocês aonde vão?
- Passar uma temporada em casa de uns primos que vivem à beira-mar.
O comboio corre através dos campos. Pela janela vê-se uma aldeia, uma igreja. Cavalos e potros galopam num prado e o telhado de uma casa rebrilha no meio da folhagem. Ao longe há vinhedos, prados e colinas a perder de vista.
Onde irá dar aquela estradinha no meio das árvores? Deve ser agradável viver nesta aldeia …
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Mas o comboio leva os viajantes a toda a velocidade. Parece que nunca mais vai parar. A paisagem foge. Aparecem outros campos, outras aldeias. Verdade, verdadinha, dá uma sensação estranha estar tão longe de casa! A Anita pensa nos pais e o João sente-se um tanto inquieto:
- Os primos estarão à nossa espera?
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- Os bilhetes, por favor! - pede o revisor.
Verifica-os, perfura-os com o alicate e dá indicações.
- Onde estará o meu?… No bolso?… Tê-lo-ei perdido?… Uf! Está aqui!
- Têm de mudar de comboio na próxima estação - recomenda o revisor - senão, meus meninos, não chegam hoje ao vosso destino.
O empregado do caminho de ferro é amável e está sempre pronto a auxiliar os passageiros, pois conhece os horários de cor e salteado.
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As crianças descem na primeira estação.
Ai, estas bagagens são difíceis de transportar! E o Pantufa que não fica quieto! Corre para todos os lados.
- Depressa, o comboio vai partir!
- Pousa o saco, Anita, para eu te passara rede de pesca e o barco. Não podem perder o comboio. Felizmente que não há muitos passageiros àquela hora.
- Faz favor … Onde está a automotora para Dieppe?
- Do outro lado do cais - responde um empregado da estação -, mas não podem atravessar a via. Têm de ir pela passagem superior.
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A passagem superior? Ah, cá está ela. Vêem-se imensas coisas de lá de cima: carris metálicos a rebrilhar; sinais que acendem e apagam; o posto de controle; máquinas em manobras … Há tempo para observar tudo porque a automotora só parte daí a uma hora.
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- Que maçada! - resmunga o Pantufa, que está ansioso por partir. Seria estúpido perder a automotora, não acham? - Eu vou subir! … Acompanham-me ou não?
- Esta carruagem é para mercadorias. Tens de vir na carruagem dos passageiros, meu malandrete! Vê-se bem que o Pantufa nunca viajou!
- Desce já daí antes que eu me zangue!
- Não posso. Machuquei uma pata!
- Este cão é mesmo teimoso!
Na hora prevista a automotora parte e a viagem continua. Mas mais lentamente porque não dá a mesma velocidade de um comboio expresso e pára em todos os apeadeiros. Entra uma senhora!
- Bom dia, meninos. Posso sentar-me junto de vocês?
- Com todo o gosto!
Ajudam-na a arrumar a mala.
- E essa caixa? Também vai para a rede?
- Não, obrigada. Prefiro levá-la ao colo.
- É frágil, sabem?… O vosso cachorro não é mau, pois não? - pergunta a senhora. E levanta cuidadosamente a tampa da caixa. - Vou mostrar-lhes o que vem lá dentro … É um gatinho. Não é um amor? Vou levá-lo ao meu afilhado. Este animalzinho não ocupa muito espaço numa casa …
E a conversa continua enquanto a automotora devora quilómetros. É tão agradável viajar assim! O tempo voa quando se conversa.
Duas longas apitadelas e a automotora entra na estação. É o termo da viagem.
Ao fundo do cais, os dois primos esperam com impaciência pela Anita e pelo João.
- A automotora já lá vem!
- Não me parece.
- Queres apostar?
- Tens razão, é ela! E lá vêm eles!
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Que alegria encontrar os primos. Há sempre imensas perguntas a fazer: “A viagem foi boa?… Quanto tempo ficam cá?… Porque não vieram mais cedo?…”
A saída é por aqui mas é preciso abrir caminho no meio da multidão. E ainda tomar o autocarro para percorrer os últimos quilómetros até à beira-mar. Mas não se devem esquecer de telefonar à mãe. Vai ficar tão contente!
FIM DO LIVRO
