Anita foi aprender equitação para casa do tio
Filipe, que é criador de cavalos.
Estes são os antepassados dos meus “puro-sangue” - diz o tio, mostrando os quadros da sala de estar. - Este é o Centauro e aquele o Ramsés II.
Não são formidáveis ? Mas tu deves estar com vontade
de ir ver as cavalariças. Vou chamar o teu primo.
É precisamente o primo Gil quem atravessa o pátio : vem da aldeia, onde foi comprar uma sela.
- Bom dia, Anita. Bom dia, Pantufa … Como
vêem, temos um novo galgo. Espero que se dêem
bem os três.
Pantufa abanava a cauda, saudando o novo amigo.
- Se quiseres, vamos já ver os cavalos -diz o
primo Gil a Anita.
- Vamos, sim. Gostava tanto ! - responde Anita.
À porta da cavalariça, dois cavalos esperam os visitantes. Um é cinzento e chama-se Vulcão. Outro é
baio e chama-se- Faísca.
Vulcão gosta muito de festas. Faísca desconfia
dos cãezinhos que não conhece e por isso relincha e
bate com a pata no chão.
- Estão de castigo? -pergunta o Pantufa.
- Não - respondem os pardais. -Estão a descansar.
- Quem está dentro deste compartimento ?
pergunta a Anita.
- É a égua Penélope, aquela que andava sempre
a correr atrás do Pantufa. Vai ter um potrozinho - responde o primo Gil.
- Posso vê-la ?
- Não, não, ela está muito cansada. Depois de
ter o potrozinho já poderás vir dar-lhe os bons-dias.
- Vai ser preciso arranjar palha para o potro diz o primo Gil.
- Está bem, vamos buscá-la imediatamente. Eu
ajudo-te, se quiseres. Aqui está um carrinho de mão
que me convem.
A palha está no celeiro. Do meio da palha salta
um ratinho, que saiu do seu esconderijo.
Pantufa persegue o rato até ao pátio. E no pátio
está … um cavalo !
- Não sou um cavalo. Sou um pónei, e chamo-me Corredor -diz o animal, todo ufano.
- E eu sou Pantufa, o cão. E esta é Anita, a
minha dona.
- Ela é amazona?
- Amazona? Que é isso?
- Vê-se logo que não percebes nada do assunto diz o Corredor.
Pam, pam, pam … É o moço da estrebaria que
está a ferrar de novo o cavalo Meteoro, bisneto
de Ramsés II, o favorito do tio Filipe.
- Deve doer-lhe, quando metem um prego no
pé, não?-pergunta o Pantufa.
- Não dói nada-responde o galgo-, porque
o prego entra só no casco.
- Queres experimentar montar a cavalo? pergunta o primo Gil a Anita.
- Sim, gostaria muito… Que estás tu a fazer?
- Estou a selar a Diana, a égua mais mansa do
tio Filipe.
- Olha, olha, está a vestir um cavalo -murmura
o Pantufa.
Sela, rédeas, estribos … Está tudo em ordem. Só
falta verificar a cilha.
- Pronto, já podes montar, Anita. Não, assim
não ! É preciso pôr o pé no estribo.
- Não é fácil subir para o cavalo.
-Vou ajudar-te -diz o primo.
Para aprender a andar a cavalo é preciso treino.
Um, dois, um, dois … A Diana anda à volta do
picadeiro.
- Vai tomar o freio nos dentes ! - grita Anita.
- Não vai, porque eu estou a segurá-la pela arreata.
- Tão depressa não, tão depressa não !
- Não é bem esta a posição correcta para montar a cavalo, mas amanhã será melhor.
No dia seguinte, Anita fez progressos e no terceiro
dia ainda mais. Diana tornou-se a sua montada preferida.
Todas as manhãs a égua espera um torrão de açúcar e, quando vê chegar a sua nova dona, faz-lhe um grande cumprimento, sacudindo a cabeça.
Após longo treino, Anita tornou-se excelente amazona. Agora passeia pelo campo e sente-se perfeitamente à vontade sobre a égua.
As pessoas ouvem-na vir ao longe e voltam-se à sua passagem:
- Viram passar a Anita no seu cavalo?
- Vimos. Ia tão veloz como o vento.
Quando Diana desce a colina a galope, os melros levantam voo e a lebre esconde-se com medo.
Diana pára à beira do regato.
- Não bebas muito depressa - diz a Anita à égua-, pois podes ficar doente.
Mas quem vem aí? É o Pantufa e o galgo do
primo, que chegam esbaforidos.
- Donde vêm vocês ?
- Estávamos aborrecidos em casa e resolvemos vir também-diz Pantufa, que chega quase sem fôlego.
Hoje é um grande dia para Anita, pois há um
concurso de equitação, organizado pelo clube da Espora de Ouro, e ela bem gostaria de ganhar o primeiro prémio.
Para isso, é necessário que a Diana tenha um
porte altivo. Anita sobe para uma cadeira, escova a
égua e penteia-lhe a crina.
- Não te mexas. Eu não demoro muito tempo,
e vais ficar linda, linda…
O concurso começou. Os concorrentes vieram de todas as terras vizinhas.
Agora é a vez de Anita. Ela aí vem, montada na
sua égua. Tem de saltar o obstáculo sem o fazer
cair. Oxalá a Diana consiga! …
Hop, já está !
Felizmente que a Diana não se recusa aos obstáculos. Há ainda uns dez a transpor. Mas Anita passa-os todos, sem derrubar nenhum. Depois anunciam
ao microfone:
Primeiro prémio: menina Anita.
O presidente do júri levanta-se e diz: - Aqui está a taça oferecida pelo clube da Espora de Ouro. Os meus parabéns.
Todos a aplaudem. Os jornalistas fazem perguntas:
- Como se chama o seu cavalo?
- Uma fotografia, por favor, para o Hipódromo !
Anita sente-se muito feliz. Acaricia a Diana e
pensa no tio Filipe e no primo Gil, que foram tão
amáveis para ela. Sem eles, como teria conseguido
aprender a montar ?
